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Observatório do STF
judiciário às claras
Em apuração

Toffoli, a filha e a ex-mulher somam R$ 26 milhões em imóveis em Brasília

Dias Toffoli, a filha Pietra e a ex-mulher Roberta Rangel acumulam cerca de R$ 26 milhões em imóveis no Distrito Federal. Em duas compras do próprio ministro, o valor registrado em escritura ficou bem abaixo da avaliação de corretores, segundo a Metrópoles.

Apuração em andamento — nenhuma conclusão definitiva.

patrimôniosubavaliação imobiliáriatransparência patrimonial

Linha do tempo

  1. Escritório Rangel Advogados adquire salas comerciais no Lago Norte (295 m²)

    mês e ano conforme a coluna; dia exato da escritura não divulgado

  2. Rangel Advogados adquire terreno de 1.875 m² no Lago Norte por R$ 1 milhão

    mês e ano conforme a coluna; dia exato da escritura não divulgado

  3. Toffoli compra quitinete de 31 m² no Lago Norte por R$ 79,5 mil, com usufruto vitalício concedido a uma funcionária doméstica

    mês e ano conforme a coluna; dia exato da escritura não divulgado

  4. Toffoli transfere à filha Pietra, por R$ 2,3 milhões, a casa de 451 m² no Lago Norte que ele havia comprado em 2006 por R$ 700 mil

    apenas o ano (2023) é confirmado pela coluna; mês e dia não foram divulgados

  5. Roberta Rangel, então ainda casada com Toffoli, compra apartamento de 83 m² no Setor Noroeste por R$ 669 mil, à vista

    mês e ano conforme a coluna; dia exato da escritura não divulgado

  6. Toffoli e Roberta Rangel encerram o relacionamento, segundo a coluna

    a coluna usa apenas a expressão "meados do ano passado" (2025); mês exato não divulgado

  7. Já separada de Toffoli, Roberta Rangel compra cobertura de 259 m² na Asa Norte

    mês e ano conforme a coluna; dia exato da escritura não divulgado

  8. Pietra Ortega Toffoli compra apartamento de 154 m² no Setor Noroeste por R$ 2,5 milhões, sem financiamento registrado

    ocorreu em fevereiro de 2026, antes da publicação da coluna em 12/2/2026; dia exato não divulgado

  9. Metrópoles publica o levantamento do conjunto de imóveis e a resposta do gabinete de Toffoli

Em 12 de fevereiro de 2026, a coluna de Andreza Matais no Metrópoles reuniu um levantamento de escrituras e anúncios imobiliários mostrando que o ministro Dias Toffoli, a filha Pietra Ortega Toffoli, a advogada Roberta Rangel — identificada pela coluna como ex-mulher do ministro — e o escritório Rangel Advogados somam cerca de R$ 26 milhões em imóveis no Distrito Federal, a maior parte concentrada no Setor Noroeste e no Lago Norte, dois dos bairros mais valorizados de Brasília. A reportagem foi replicada por outros veículos, entre eles o Brasil247. Este caso é sobre esse patrimônio imobiliário — um ângulo diferente dos outros três casos do Observatório sobre o ministro: a saída dele da relatoria do caso Master, a anulação em cadeia de provas da Lava Jato e os votos sobre penduricalhos da magistratura federal.

O achado central da coluna é que, em pelo menos duas compras feitas pelo próprio ministro, o valor registrado na escritura ficou bem abaixo da avaliação que corretores imobiliários atribuíram aos mesmos imóveis — uma diferença que a reportagem documenta, mas que, por si só, não permite concluir que houve irregularidade: há explicações possíveis, descritas mais abaixo, para parte dessa diferença.

As duas compras do próprio ministro

Em maio de 2022, Toffoli comprou uma quitinete de 31 m² no Lago Norte por R$ 79,5 mil. Corretores consultados pela coluna avaliaram o imóvel, na época, entre R$ 240 mil e R$ 250 mil — hoje estimado em cerca de R$ 350 mil. A escritura concede usufruto vitalício a uma mulher identificada como funcionária doméstica.

Em abril de 2024, Toffoli comprou um apartamento de 47 m² no Setor Noroeste. O valor na escritura foi de R$ 183 mil; corretores avaliaram o imóvel em aproximadamente R$ 600 mil. Como na quitinete do Lago Norte, a escritura concede usufruto vitalício a outra mulher identificada como funcionária doméstica.

Em nenhuma das duas escrituras há registro de financiamento bancário.

Os imóveis da filha e da ex-mulher

A filha do ministro, Pietra Ortega Toffoli, aparece em duas transações. A primeira é a casa de 451 m² no Lago Norte: comprada pelo próprio Toffoli em 2006 por R$ 700 mil, foi transferida a ela em 2023 por R$ 2,3 milhões declarados — valor que corretores consultados pela coluna estimam bem abaixo do de mercado, apontando pelo menos R$ 4,2 milhões para imóveis semelhantes na região. A segunda é a compra mais recente do conjunto: em fevereiro de 2026, Pietra adquiriu um apartamento de 154 m² no Setor Noroeste por R$ 2,5 milhões, sem financiamento registrado na escritura.

Roberta Rangel, por sua vez, aparece em duas compras feitas em momentos diferentes da relação com o ministro. Em outubro de 2023, quando a coluna descreve o casal como ainda junto, ela comprou à vista um apartamento de 83 m² no Setor Noroeste por R$ 669 mil — a coluna cita anúncios de unidades semelhantes no mesmo prédio por mais de R$ 1 milhão. Depois de o relacionamento ter terminado, segundo a coluna, “pelo menos até meados” de 2025, Rangel comprou em dezembro daquele ano uma cobertura de 259 m² na Asa Norte; a coluna cita um imóvel parecido anunciado por R$ 4,1 milhões, mas não informa o valor declarado na escritura dessa cobertura.

O escritório Rangel Advogados

Além dos imóveis pessoais, a coluna lista dois ativos em nome do escritório Rangel Advogados, fundado por Roberta Rangel: um terreno de 1.875 m² no Lago Norte, comprado em dezembro de 2009 por R$ 1 milhão e hoje avaliado por corretores em cerca de R$ 7 milhões, e um conjunto de salas comerciais de 295 m², adquirido em agosto de 2009, hoje avaliado em aproximadamente R$ 4,4 milhões. Esses dois imóveis são anteriores à nomeação de Toffoli ao STF, em 2009, e a coluna não detalha o valor pago originalmente pelas salas comerciais.

O usufruto vitalício e outras ressalvas

A coluna documenta a diferença entre o valor na escritura e a avaliação de corretores — mas essa avaliação é, por definição, uma estimativa de mercado, não um dado oficial equivalente ao valor registrado em cartório. Dois pontos merecem registro antes de qualquer leitura sobre a causa dessa diferença:

Nas duas compras do próprio ministro — a quitinete do Lago Norte e o apartamento do Setor Noroeste —, a escritura reserva usufruto vitalício a outra pessoa. Uma compra de nua-propriedade com usufruto já constituído a terceiro tende a ter valor de mercado menor do que a mesma unidade livre e desembaraçada, porque quem compra fica sem o direito de uso ou de aluguel do imóvel enquanto a usufrutuária estiver viva. A coluna não esclarece se as avaliações de R$ 600 mil e de R$ 240 mil a R$ 250 mil citadas pelos corretores levaram esse fator em conta ou se referem ao imóvel livre — uma distinção que muda o tamanho real da diferença.

Já nas transações de Pietra e de Roberta Rangel, a coluna não registra nenhuma reserva de usufruto equivalente, e as diferenças entre valor declarado e estimativa de corretores persistem nesses casos sem essa explicação específica.

A resposta do gabinete

Procurado pela coluna, o gabinete de Toffoli respondeu, em nota, que “todas as receitas e patrimônios do ministro estão devidamente declarados e aprovados em suas declarações anuais à Receita Federal do Brasil”. A nota não endereça, especificamente, a diferença entre os valores registrados nas escrituras e as avaliações de mercado citadas pela coluna, nem comenta as transações atribuídas à filha e à ex-mulher do ministro.

O que ainda está em aberto

Não localizamos, até a publicação deste caso, nenhuma representação protocolada em órgão de controle, abertura de procedimento pela Receita Federal ou decisão judicial especificamente sobre essas escrituras — nem cobertura própria, até aqui, de veículos de referência como ConJur, Migalhas, Poder360, Gazeta do Povo, Correio Braziliense ou CNN Brasil sobre este levantamento específico. A apuração publicada é a da coluna de Andreza Matais no Metrópoles, replicada por outros veículos sem reportagem adicional própria sobre as escrituras. O Observatório trata o valor de mercado citado pela coluna como estimativa de corretores, não como fato objetivo equivalente ao valor registrado em cartório, e acompanhará qualquer resposta adicional do gabinete de Toffoli, de Roberta Rangel ou de Pietra Ortega Toffoli, bem como eventual abertura de apuração por órgão de controle.

Fontes

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