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Observatório do STF
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Em apuração

Fux, a viagem a Nova York e o custeio ligado a Vorcaro via Forbes Brasil

Mensagens da PF no celular de Daniel Vorcaro indicam que ele articulou, via o publisher da Forbes Brasil, o custeio de passagens e hospedagem da viagem de Fux e da mulher a Nova York em maio de 2024, com almoço em sua homenagem. Fux nega contato direto com Vorcaro.

Apuração em andamento — nenhuma conclusão definitiva.

conflito de interesseviagem paga por terceiros

Linha do tempo

  1. Almoço "Forbes Power Lunch", em homenagem a Fux, em Nova York, patrocinado pela BeFly

  2. Forbes Party, em Nova York, com o Banco Master entre os apoiadores do evento

  3. Fux nega, em sessão do STF, qualquer relação pessoal com Vorcaro

    declaração do próprio ministro sobre o conjunto das mensagens da PF então discutidas em plenário — não uma resposta específica sobre a viagem a Nova York, que só seria noticiada dias depois

  4. Folha de S.Paulo revela mensagens da PF sobre o custeio da viagem via Forbes Brasil; matéria é replicada por outros veículos e STF responde em nota

Em maio de 2024, o ministro Luiz Fux viajou com a mulher, Eliane Fux, a Nova York, onde participou de um almoço promovido pela revista Forbes Brasil em sua própria homenagem. Mais de dois anos depois, em setembro de 2026, mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro — controlador do Banco Master, preso pela Polícia Federal — e extraídas do celular dele passaram a circular mostrando o banqueiro orientando a compra das passagens e da hospedagem do ministro e da esposa. A revelação, feita pela Folha de S.Paulo e replicada por outros veículos, não tem, até a publicação deste caso, confirmação documental publicada pelo Observatório além do que a própria imprensa reproduziu das mensagens. Fux nega qualquer contato direto com Vorcaro.

O que as mensagens, segundo a imprensa, mostram

De acordo com a reportagem original e com veículos que a replicaram, as conversas no celular de Vorcaro, entre março e maio de 2024, mostram o banqueiro orientando uma funcionária a comprar passagens e hospedagem para Fux e Eliane Fux — mas determinando que a emissão não partisse diretamente do Banco Master, e sim por intermédio de Antonio Camarotti, CEO e publisher da Forbes Brasil: “Não podemos nós mesmos fazermos [sic] a emissão”, teria escrito Vorcaro, segundo o texto das mensagens citado pela imprensa.

O desfecho da viagem, segundo a mesma cobertura, foram dois eventos em Nova York: um almoço batizado de “Forbes Power Lunch”, em 14 de maio de 2024, com cerca de 30 a 40 pessoas, promovido pela Forbes Brasil especificamente em homenagem a Fux e patrocinado pela BeFly — agência de turismo que mantinha parceria comercial com o Banco Master; e a Forbes Party, na noite seguinte, 15 de maio, que teve o próprio Banco Master entre os apoiadores do evento, segundo um dos relatos, numa negociação em que Camarotti teria informado a Vorcaro que um patrocínio de US$ 200 mil para a festa estava fechado e poderia estampar a marca do Master ou de outra empresa escolhida pelo banqueiro. Reportagens também registram a presença de Rodrigo Fux, filho do ministro, no almoço do dia 14.

Por que a Forbes Brasil aparece como “parceira” do Banco Master

A reportagem da Times Brasil que detalha a investigação da PF descreve Vorcaro como “sócio oculto” da Forbes Brasil, citando um fundo — a Eagle Eye Investments, cujo único cotista era o fundo Astralo 95, alvo da Operação Compliance Zero — que teria declarado à CVM R$ 113,7 milhões em ações da FRBS Participações (controladora da Forbes Brasil) e concedido à publicação um mútuo conversível de R$ 100 milhões. Essa relação financeira, se confirmada documentalmente, ajuda a explicar por que uma revista que organiza eventos de prestígio para ministros do STF aparece, neste episódio, operando como intermediária do custeio de uma viagem — mas o Observatório não teve acesso direto aos documentos da CVM ou da PF que sustentam esses números, apenas à reportagem que os cita.

A negativa de Fux

Há dois momentos distintos de resposta do ministro, e é importante não confundi-los. Em 15 de setembro de 2026, em sessão do STF que discutia a abertura de inquérito a partir do conjunto das mensagens de Vorcaro — então ligadas sobretudo ao ministro Alexandre de Moraes —, Fux declarou: “Mensagem comigo não tem, não, senhor […] Nunca vi esse cidadão na minha vida, nunca tive relação com ele.” Essa fala antecede em uma semana a revelação específica sobre a viagem a Nova York, feita em 22 de setembro.

Depois dessa segunda revelação, a assessoria de Fux afirmou, em nota, que o ministro nunca trocou mensagens com Vorcaro e nunca foi convidado por ele para eventos — que o convite partiu diretamente da Forbes Brasil, para que Fux proferisse palestra sobre segurança jurídica e risco Brasil num evento da revista em maio de 2024, e que não houve contato com Vorcaro durante o almoço. A própria Forbes Brasil, em nota à imprensa, confirmou que a BeFly patrocinou o almoço em homenagem a Fux e que o Master foi um dos apoiadores da Forbes Party no dia seguinte, sem detalhar se o ministro tinha conhecimento de como as passagens e a hospedagem foram, de fato, pagas.

O que está documentado e o que é indício

O fato de que Fux e a mulher viajaram a Nova York em maio de 2024 e de que houve um almoço da Forbes Brasil em homenagem a ele está confirmado por múltiplos veículos. Também está relatado por essas mesmas fontes, com base nas mensagens de Vorcaro, que o banqueiro se envolveu na logística do custeio e pediu que a compra passasse pelo publisher da Forbes. O que segue sendo indício, não fato estabelecido, é se Fux sabia da origem desse arranjo financeiro: nenhuma reportagem apresentou mensagem do próprio ministro discutindo o custeio com Vorcaro ou com Camarotti, e a negativa de Fux tem o mesmo peso, nesta apuração, que a leitura que a PF fez das mensagens do banqueiro.

Não há, até a publicação deste caso, valor oficial divulgado para o custo das passagens e da hospedagem, decisão do STF sobre o episódio, ou conclusão da Polícia Federal especificamente sobre a viagem de Fux — distinta de outras frentes da apuração do Banco Master que também mencionam contatos entre Vorcaro e Rodrigo Fux, filho do ministro, em período posterior e por razões diferentes, e que não são tratadas neste caso.

Fontes

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