Mensagens entre Moraes e Vorcaro reveladas por Mendonça
André Mendonça tornou públicas mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, extraídas pela PF, além de dois contratos de R$ 180 milhões com o escritório da esposa do ministro. Plenário do STF decide em 15/9 se abre investigação.
Apuração em andamento — nenhuma conclusão definitiva.
Em 1º de setembro de 2026, o ministro André Mendonça — relator dos inquéritos do Banco Master — tornou públicas mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do banco. As mensagens foram extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, que segundo a apuração fotografava anotações no bloco de notas do aparelho e as enviava como imagens de visualização única, num método que teria como objetivo dificultar o rastreamento pela PF.
Entre as mensagens reveladas, uma trocada em 15 de novembro de 2025 — dois dias antes da prisão de Vorcaro — mostra o banqueiro perguntando a Moraes: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
Separadamente, veio à tona um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro: R$ 3,6 milhões por mês, ao longo de três anos (soma aproximada de R$ 131 milhões), assinado em 23 de janeiro de 2024. O valor e o momento do contrato levantaram questões sobre eventual conflito de interesse.
Atualização — 10 de setembro de 2026
Reportagens publicadas nos dias seguintes ampliaram o que se sabe sobre a relação entre Moraes e Vorcaro:
- Um segundo contrato. Além do contrato de aproximadamente R$ 130 milhões já mencionado, veio à tona um segundo contrato — de R$ 50 milhões — entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e a Viking Participações, ligada a Vorcaro. Segundo a apuração, Vorcaro chegou a tentar quitar parte desse valor oferecendo duas aeronaves. Somados, os dois contratos chegam a aproximadamente R$ 180 milhões.
- Mais mensagens. Entre 12 e 17 de dezembro de 2025, Vorcaro enviou 28 mensagens para um número de celular atribuído a Moraes, usando o recurso de visualização única do WhatsApp — método que impede o destinatário de encaminhar ou preservar a mensagem, e dificulta a extração posterior.
- Metadados de documento. Reportagens exibiram metadados de um arquivo em PDF que teria como último editor um usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.
- Sessão do plenário marcada para 15 de setembro. O presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma sessão extraordinária do plenário para o dia 15 de setembro de 2026, às 10h, a pedido do ministro André Mendonça — a primeira vez que o plenário se reúne para decidir se abre um inquérito contra um ministro da própria Corte. A convocação veio depois de decisões liminares de Mendonça e do ministro Flávio Dino que aprofundaram a crise institucional.
Nenhum desses pontos foi confirmado ou julgado pelo STF até a publicação desta atualização — são elementos de reportagens jornalísticas sobre a apuração em curso, não fatos estabelecidos pelo tribunal.
A disputa sobre o próprio relatório
A Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do relatório da PF que originou a revelação, argumentando que Mendonça não poderia ter solicitado diretamente à corporação uma apuração sobre um colega de tribunal — que, segundo esse argumento, exigiria autorização prévia do plenário do STF.
Status
O plenário do STF vai se reunir em 15 de setembro de 2026 para decidir se abre uma investigação formal contra Alexandre de Moraes. Não há, até a publicação desta atualização, decisão do tribunal sobre o mérito das mensagens reveladas nem sobre a validade processual do relatório que as tornou públicas. O Observatório vai atualizar este caso conforme o processo avançar — inclusive o resultado da sessão de 15/9.
Fontes
- Cronologia das revelações — Agência Pública, 2026-09-02
- Análise do contrato Banco Master–Barci de Moraes — Agência Pública, 2026-09-02
- STF dividido sobre investigar Moraes — Poder360
- Segundo contrato e novas mensagens reveladas — Aos Fatos, 2026-09-04
- STF marca sessão para 15/9 sobre investigar Moraes — O Tempo, 2026-09-09
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